Diana Dias – Projeto Vitrine 2015

Estalo #1

Opening Saturday, August 29th at 2pm
Untill Saturday, September 26th
The artwork goes to the street September 26th at 2pm

Visiting Wednesdays and Fridays, from 2pm to 7pm or by scheduling
________________________________________

Diana Dias, from Rio de Janeiro, is the last artist to occupy .Aurora’s Vitrine in 2015. She brought Estalo#1 by the first time to São Paulo. The artwork is almost a ready-made: compound by found objects which are full of stories, the device records and reproduces sound information with a cassette tape.
In the last day of the show, Diana will take the piece down to the streets of São Paulo to record its sounds.

VITRINE-Flyer-Site-Diana-ENG

Portuguese release:

O estalo #1 é composto por objetos encontrados. Um quase ready-made que de pronto pouco teve. Uma tábua de compensado de 31 x 70cm que estava a meses pegando poeira na Pavuna. Sobra da obra de Dona Carmem que contratou o serviço da empresa de móveis sob medida para modernizar sua cozinha. Com dois ou três telefonemas, a sócia da empresa concordou em ceder a peça empoeirada – “Claro, claro, já não tem utilidade para nós. Na próxima obra na Tijuca combinamos a entrega”. Quase uma semana depois, o compensado entrou no caminhãozinho com Andreia e percorreu 25,7 km, passando pela Avenida Brasil toda engarrafada. Sobre a tábua, roda um pedaço de fita cassete ad infinitum, fita essa da marca alemã Basf que foi encontrada numa caixa de papelão junto de muitas outras, mas, ao contrário da maioria, ela não tinha como conteúdo as aulas da faculdade de direito que João começou e nunca terminou. Na caixa da fita escolhida, Rosi escreveu uma lista de músicas do Jive Bunny and the Mastermixers, trilha sonora recorrente nas festas de aniversário de sua filha no início dos anos 1990. Essa fita foi aberta, e, agora, só é possível ouvir seu conteúdo em intervalos de mais ou menos 35 segundos, quando cada fragmento cortado e remendado com durex gira sobre o compensado de 31 x 70cm. O motor e o cabeçote magnético acoplados a tábua foram retirados de um antigo toca-fitas. Antes dos 15 anos que passou esquecido numa caixa, ele costumava ficar na cozinha da sétima casa de uma vila, onde Maria da Luz ouvia o rádio enquanto preparava suas sopas. O sinal magnético é amplificado por uma pequena caixa de metal que Fernando construiu ainda nos anos 1980. Ela está na lista dos inventos do professor engenheiro, ao lado do seu sensor de terremotos caseiro.

Preso na lateral do compensado está um cilindro metálico conectado a um segundo cabeçote magnético, que pertenceu ao toca-fitas Sony que João levava para gravar suas aulas da faculdade de administração que ele fez do início ao fim. No interior do cilindro, seu circuito traduz em sinal magnético tudo que recebe. Conectado ao cilindro está a última peça do estalo #1, seu microfone. Por dentro, ele é, essencialmente, um antigo microfone externo de computador, daqueles quase brancos com a base redonda. Por fora, o microfone é a junção de um funil de plástico que já foi verde e um tubo preto. O tubo, era parte de um aspirador de pó e foi encontrado, já em pedaços, na caixa de resíduos da oficina de madeira e metal da faculdade, que de fora mais parece um estacionamento bem localizado ali ao lado dos arcos da Lapa.
Desde setembro de 2014, o estalo #1 foi a rua algumas vezes. Fez feira na Lagoa numa manhã de sábado. Esteve no Largo de São Francisco e atrapalhou a missa de 12h na quinta-feira. Foi ignorado em Botafogo na praça da saída do metrô. Foi esquecido no teto de um carro em movimento. Caiu e foi atropelado por um caminhão. Por sorte, só sofreu ferimentos leves, a saída RCA amassada foi desentortada com um alicate. Agora, estalo #1 está aqui, instalado no espaço do .aurora de 1,5 x 1,5 x 1,5m, esperando o tempo e as vozes.

Diana Dias e Renan Araujo